Ponto final - Mais despesa

Artigo de Jorge Coroado - Jornal O Jogo

Muito já foi dito e escrito acerca do "estado em que está ou chegou a arbitragem", principalmente quando surgem situações discutíveis, altamente duvidosas, com decisões gravosas para uma das partes, sobretudo se o beneficiário dos equívocos não for da simpatia dos escribas. Relutante na admissão de meios tecnológicos como suporte de auxílio às decisões mais problemáticas dos homens do apito, a UEFA decidiu levar por diante uma experiência com mais dois elementos por equipa de arbitragem colocando cada um atrás de cada baliza com a responsabilidade de auxiliarem o árbitro principal em lances que ocorram nas áreas de grande penalidade e verificarem se e quando a bola ultrapassa completamente a linha de baliza por baixo da barra e entre os postes.
Tratar-se-á de benefício ou de mais um factor de desestabilização para quem, de acordo com as regras, é o único com poderes de decisão? No jogo realizado domingo em Alvalade, na eventualidade de estar atento e concentrado, quem ocupasse aquela função teria sido útil, porém olhe-se para a situação actual: as equipas de arbitragem são compostas por quatro elementos estando definidas quais as atribuições de cada um deles.
Ao quarto árbitro, quantas vezes já se viu intervir no jogo a não ser para elevar a placa com os números aquando das substituições, demonstrar períodos de compensação ou, pontualmente, chamar o chefe de equipa para disciplinar gente dos bancos? Quem já os viu informar o homem do apito de infracções por conduta violenta ou comportamento antidesportivo? Pelos exemplos proporcionados por aqueles elementos, que esperar dos dois novos a introduzir? Estarão mais bem posicionados para ajuizarem e ajudarem em situações concretas e específicas? Claro que sim! Qual o grau de responsabilidade e fiabilidade que lhes será atribuído pelos árbitros? Sendo aprovada a referida experiência e aceite a nomeação de mais dois componentes por equipa de arbitragem, que efeitos terá tal decisão nas competições internas de cada país? Haverá árbitros suficientes? Será só para provas ditas de alta competição ou será transversal a todas as categorias?
Se a experiência em causa passar a letra de lei, quantos países terão capacidade financeira para o recrudescer em 50 por cento, por jogo, das despesas com as equipas de arbitragem?
A experiência que ocorrerá num grupo da fase de apuramento para o próximo Euro'2009 Sub-19 terá as suas conclusões só no próximo ano - por analogia com outras já concretizadas, arrisco antecipar um rotundo não do International Board.

0 Comments:

Post a Comment




 

Copyright 2006| Blogger Templates by GeckoandFly modified and converted to Blogger Beta by Blogcrowds.
No part of the content or the blog may be reproduced without prior written permission.