António Marçal: «Pinto de Sousa revolucionou arbitragem portuguesa»
Publicada por Dinis Gorjão à(s) 08:47Artur Santos Silva, antigo presidente do BPI e figura notável da banca portuguesa, esteve no tribunal de Gondomar na condição de testemunha de Pinto de Sousa, arguido de quem tem "uma imagem muito positiva". Instado a pronunciar-se sobre uma viagem a Moçambique de Pinto de Sousa que o Ministério Público valorizou na acusação que produziu, entendendo que foi uma contrapartida dada pelo major Valentim Loureiro - que teria mexido os seus cordelinhos - a Pinto de Sousa, conseguindo integrá-lo na comitiva oficial do primeiro-ministro Durão Barroso, afirmou: "Mal estará uma sociedade democrática se alguém não puder apresentar pessoalmente um assunto a um qualquer membro do governo", referiu Artur Santos Silva sobre a insinuação de que o major facilitou a Pinto de Sousa, tal como se diz na acusação, o acesso aos "corredores do poder". O procurador Gonçalo Silva não se mostrou convencido: "Eu, que estou há 30 anos no Ministério da Justiça, se quisesse falar com o Ministro da Justiça não conseguia".
Artur Santos Silva considerou que a presença de um empresário como Pinto de Sousa numa comitiva ministerial é "relativamente fácil" tendo em conta os interesses "reais e potenciais". Seguiu-se Faria de Almeida, antigo secretário de Estado, figura de destaque do PSD/Porto e companheiro de Pinto de Sousa e Pinto da Costa no Colégio das Caldinhas. Sobre Pinto de Sousa, disse este médico que é uma pessoa "honesta até nas pequenas coisas" e que não precisaria de recorrer a Valentim Loureiro para integrar uma comitiva ministerial, "tanto mais que, se o quisesse fazer, podia recorrer a pessoas de um patamar mais alto". De Pinto de Sousa disse também que tinha "aversão à política".
O procurador Gonçalo Silva leu uma escuta entre Pinto de Sousa e o filho na qual este refere que foi "o major" quem conseguiu que integrasse a comitiva oficial do primeiro-ministro e não a comitiva dos empresários, tendo até ficado alojado no hotel onde ficou Durão Barroso. "Quem seria este major?", perguntou Gonçalo Silva. "Provavelmente o sr. major Valentim Loureiro...", respondeu Faria de Almeida. Contrapôs o advogado de Pinto de Sousa, João Medeiros, outro escuta entre Pinto de Sousa e o filho na qual o primeiro diz que iria fazer tudo para "fugir" ao programa oficial dessa viagem a Moçambique, assim tentando provar que Pinto de Sousa não tinha qualquer interesse em fazer parte da comitiva oficial.
Autor: EUGÉNIO QUEIRÓS, in Record
Etiquetas: NOTÍCIAS
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